09 janeiro, 2007

Ansiedade

Vida toda encaixotada e entulhada em um quarto que foi meu mas já não é. Ansiedade, ânsia de tirar a vida da caixa e levá-la para outro lugar, para outro rumo. Virar de um lado da cama, do outro, fazer espirais até dar um nó no lençol. A mente vai até o final da vida e volta até a infância, faz reviravoltas, pira, cansa, tenta se esvaziar, parar de funcionar e não pára. O relógio corre rápido demais e ao mesmo tempo demora para fazer uma volta. Os pés batem descompassados, fazendo um caminho virtual que não sai do lugar. Cena a cena, o que vai ser vivido, cada palavra, cada gesto, cada resposta, cada sensação. De repente não, pára tudo! Não vai ser nada disso. E a mente escreve um novo roteiro, hora mais trágico, hora mais feliz. No meio da madrugada, tudo fica pior, com a escuridão os problemas crescem, a angústia ganha dimensões estratosféricas. Com o sol tudo melhora, tudo se acalma, e vem de novo a esperança. A ansiedade ganha ares de esperança. Dizem, sou muito acelerada, chata, neurótica, quero resolver as coisas como quem faz um macarrão instantâneo, joga na panela e pronto. Vontade de pegar o mundo com as mãos e resolver tudo, adivinhar o futuro e reviver o passado de forma diferente. Nesse meu agora, de vida encaixotada e numa espécie de stand-by, sinto uma nostalgia louca, refaço os meus passos de criança, as passadas conflitantes da adolescência e tento traçar um rumo, ainda que com medo de ver o que há na frente. Como uma criança que quer ver um filme de terror mas tem medo, então coloca as mãos diantes dos olhos com os dedos frouxos, deixando frestas. Mas se é pra ver, que seja logo, que não demore. Se é pra tirar a vida das caixas que entulham minha alma e a casa dos meus pais, que eu possa fazer isso logo.

2 comentários:

Silo disse...

ao menos fica-se, sem dúvida, mais criativa, hein minha querida?

Ronaldo Faria disse...

O recomeço é sempre difícil. Mas vomo é bom que ele exista... É uma prova de que ainda estamos vivos. E tentando reviver e mudar.
Cuide-se. Você chega lá. Sem dedos nos olhos. Talvez, quem sabe, uma saudade doída ou outra de risos. Mas todas apenas saudades, poemas que ficarão, no futuro, em cada renascer. Renasça. Como agora. Sempre.
Ronaldo Faria