17 março, 2007

Quatro anos

Quatro anos. Lá se vão quatro anos. Isso significa quatro Natais, quatro viradas de ano, uma Copa do Mundo, quatro aniversários e, no meu caso, pelo menos quatro empregos diferentes...Também somam uma meia dúzia de rompimentos, ou, melhor dizendo, de intervalos, daqueles em que expressões como "nunca mais" ou "melhor esquecer, cada um para o seu lado, cuidando da sua vida", são ditas com o peso de séculos e séculos amém. Expressões que, felizmente, também são esquecidas ao final de um beijo de reconciliação, com dizeres alegres e até irresponsáveis que, em resumo, querem crer que tudo pode ser foda, mas o amor, ou a vontade de amar, vence tudo. E por que não acreditar nisso né? Afinal, se formos ficar procurando a chamada tampa da panela vamos ver que, até as que se encaixam perfeitamente, com o tempo, vão ficando meio frouxas, ou apertadas. Essa história de ter o número ideal, a alma gêmea, pode até rolar, mas não em todos os sentidos. Não somos feitos aos pares, nem com clones de nós mesmos. Temos sim algumas partinhas nossas que colam perfeitamente nas partinhas de outros, ou de outro e, quando isso acontece, já é o máximo porque temos que ser assim: feitos de diferentes partes, algumas delas iguais a de alguém e outras também diferentes desse alguém, para que as relações sejam difíceis e, por isso mesmo, tenham graça, porque trocam, porque causam conflito, porque provocam e porque, dessa forma, também nos fazem um pouco diferente todos os dias.
Em quatro anos mudei algumas vezes de cidade, de emprego, quis ser só cantora, só jornalista e nenhuma das duas coisas. Hoje, de certa forma, não sou nenhuma das duas coisas, e continuo não sabendo ao certo se era isso que eu queria. Chorei muito, me irritei, me magoei e vi defeitos inúmeros em mim e na minha "cara metade". Mas eis que chegamos aqui, talvez não tão firmes e não tão fortes, mas sempre com a vontade de continuar, sempre tentando fazer com que alguma parte, seja ela qual for, cole na outra, ou ao menos se esbarre ou acaricie a outra. Tente, no mínimo, bater de raspão... Que o desejo de um seja um pouquinho o do outro, ou que ao menos passe perto. Talvez façamos isso porque, quando acontecem os nossos encontros de alma, ainda que haja muitos desencontros, a vida se transforma em festa e nos nutre da vontade de seguir tentando...
Tá, são quatro anos sem flores, sem luz de velas, até sem beijo...A distância e suas conseqüências nos impediram selar a efeméride com as pompas românticas de praxe. E eu fiquei assim...Olhando com cara de criança que ficou sem o algodão doce ao ver um casal se beijando na Paulista, ou outro andando de mãos dadas numa estação de metrô... Mas o estar junto, às vezes, está muito mais nos gestos de dentro de nós...Por isso insistimos. Por isso tentamos...Desde o dia 16 de março de 2003.

2 comentários:

Tatiana disse...

Ouvi isso de um amigo turco e nunca mais me saiu da cabeça:
amor é trabalho!
E ele está certo.
mas sempre vale a pena

Ronaldo Faria disse...

Tente. Melhor errar por tentar do que não descobrir. E só tentando sabemos o quanto ou tanto queremos.
Ps.: Você "É" uma delas!
Beijos. Carinho. Cuide-se!
Ronaldo Faria