17 março, 2008

Belíssima cantada


Bem, dificuldades aqui, felicidades acolá, muita água rolou embaixo da ponte, muitas idas e vindas, e cá estamos nós, felizes, vitoriosos, eu e ele, cinco anos juntos, buscando olhar para a mesma direção, sem nos perdermos no meio disso tudo. Buscando ser um só e ao mesmo tempo três: eu, ele e nós dois! Nesse clima, acabei ontem cantando uma música que eu simplesmente amo, e que acho uma das coisas mais preciosas do nosso cancioneiro. Aliás, diga-se de passagem,é a mais bela cantada que uma mulher poderia receber de um homem. Tudo bem que hoje em dia as coisas vão tão rápido que talvez não desse tempo de chegar até o final da música e tudo já acabasse em sexo. Há que se ressalvar também que talvez nem todas entendessem tais palavras rebuscadas sem que viessem com um glossário ou uma tecla SAP. Mas para quem já teve o privilégio de ouvir isso aqui, e também para quem não teve mas certamente tem sensilibidade à flor da pele e gosta de poesia, compartilho dessa letra que é simplesmente maravilhosa, delicada como uma pétala de rosa, de autoria de Otávio de Souza. A música fico devendo, mas busquem...É uma bela valsa do mestre Pixinguinha, de 1917, e que deixa sem fôlego os cantores, por conta de suas pausas e métrica dificílimas, e os apaixonados ou românticos inveterados, tamanha a sua beleza.

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em prece comovente de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

2 comentários:

Marina F. disse...

ei, bonita.
queria muito ouvir esta bela canção na sua voz.
bjs, saudades!

Ana disse...

Essa música realmente é divina...
Já ouvi na voz de Nélson Gonçalves, mas adoraria ouvir você cantando.

Parabéns por partilhar com seu amor tantos anos, tantos caminhos, descobertas, talvez alguns dissabores, no entanto, é perceptível (quase palpável)pelas fotos o amor que os une.
Beijo, linda!