28 abril, 2008

Algumas verdades para eu me contar

É difícil contar algumas coisas para a gente mesmo, sobre nós mesmos, mas depois de um certo tempo as verdades começam a berrar nos nossos ouvidos e aí não tem mais jeito. De repente a gente se olha no espelho e não se reconhece, não daquele jeito que a gente imaginava que fosse.
De repente descubro que prefiro amor a sexo, embora saiba que uma coisa nem sempre exclue a outra e que unidas podem ser o máximo. Mas a verdade é que, para mim, um bom beijo na boca me faz ver mais estrelas do que um orgasmo. E que vendo estrelas eu posso até querer um bom sexo, mas não necessariamente. Pode não ser o suprasumo do comportamento esperado de uma mulher moderna, independente, emancipada profissional e sexualmente, mas é isso que acontece comigo e ponto. Fazer o que?
Páro para perceber que narrativa não é meu forte. Talvez minha imaginação não seja tão fértil e, talvez por isso, eu não me ache tão genial, esperta e dona de grandes idéias. Isso talvez também explique a minha dificuldade com as ficções, tanto nos filmes, quanto nos livros. Meu negócio é mesmo dissertar, descrever, desenvolver. Talvez por isso eu ame as histórias de verdade, as de gente de carne e osso.
De repente saco que eu tenho mais medo de ser eu mesma, única, do que eu gostaria. E que para mim, bater um papo a sós comigo mesma, durante muito tempo, pode ser uma saia justa desgraçada. Começo a entender que é preciso me acostumar com essa idéia de ser eu e só eu mesma e parar de ter medo do escuro da solidão e da individualidade.
Percebo que ainda tenho medo de impor as minhas vontades e que ainda faço muitas coisas de que não gosto ou que não quero, ao mesmo tempo que começo perceber a delícia que é conseguir ser um pouco egoísta.
Reconheço que sou chata mesmo: gosto de ter o meu espaço, porque sou mandona, espaçosa e quero ter o controle das coisas.
Reconheço, ainda, que tenho dificuldade em me desprender dos minutos passados e das pessoas e histórias passadas. Sei que na construção de cada um, se formos lichando as paredes da alma e da história, vamos encontrar cores de tintas diversas que contam episódios diferentes e que não vão sair dali nunca mais. Mas eu ainda tenho dificuldade, muitas vezes, de passar uma massa corrida por cima das cores que já não me servem mais. Ainda tenho dificuldade em entender, e não ficar triste, ao descobrir que cada coisa tem seu tempo e lugar.
Descubro que tenho medo da passagem do tempo, tenho medo da morte, e tenho medo da mudança, ainda que me jogue em várias novas realidades e fique de saco cheio da vida com uma certa constância.
Saber, assim, de ter noção, eu já sabia: não temos controle sobre nada. Mas como é duro sacar isso na prática...Perceber assim, de repente, que você não tem controle nem mesmo sobre o que você é. Porque se é, e pronto. Podemos tentar nos adaptar, vez ou outra, acomodar as nossas diferenças com a dos outros. Mas assim, mudar mesmo,impossível. No máximo uma reforma. Mas o alicerce está ali, gostemos dele ou não. Clichê monstro esse, mas é verdade: somos o que somos. E eu ainda me assusto em descobrir que não sou tudo o que eu pensava que fosse.

3 comentários:

Marina F. disse...

Amiga, adorei te ver neste findi, mesmo que rapidinho.
beijos.

Anônimo disse...

Amiga...
Que bom que vc é assim... cheia de traumas, manias, loucuras... e é só por isso que vc é tão especial... Lembre-se que se redescobrir é crescer, é evoluir, é avançar, sempre!!!
Te amoooo!!!
Beijinhos e muita saudade.
Taty

Ana disse...

Ah, os eternos questionamentos...
Sem eles, acho que não seríamos nada mesmo.
Beijos!