14 maio, 2008

Felicidade

Ok Seu Albert Camus, felicidade é coincidir a vida com as idéias. Definição mais perfeita não há. Agora, além disso já ser difícil por si só, como fazemos quando nossas idéias de felicidade são contraditórias e coexistem, nos fazendo eternamente inquietos?
Sim, podia ser que nem uma amiga minha que sonhou a vida inteira ser médica e agora é. Pronto. É claro que ela não consegue coincidir a vida com as idéias o tempo todo, ninguém consegue, mas ao menos o caminho traçado e o desejado se cruzaram em algum ponto. Quanto a mim, vamos a algumas idéias de felicidade:

cantar
ser jornalista
ficar próxima dos meus amigos
viver em uma cidade com oportunidades
viver em uma cidade tranquila
ter qualidade de vida: que pode ser dormir em um lugar sem barulho e ter dinheiro no bolso ou estar em uma metrópole com 500 bilhões de cinemas, shows, teatros e gente interessante. Ou ainda, ter uma casa gostosa, só minha, e sobrar um pouco de grana no bolso para viajar e de vez em quando.
ter um trabalho super desafiador ou trabalhar pouco e viver mais fora do trabalho
ter tempo para viver o amor e planejar ter filhos ou fazer milhões de cursos e ter uma vida agitada, sem rotina...o que também acaba virando uma rotina infernal e cansativa...

E só pra complicar um pouquinho mais:
Quando estou lá no interiorzinho acho a vida um saco e sem graça. Mas tem passarinho, tranquilidade e a cerveja é bem mais barata.
Quando estava no interior um pouquinho menos longínquo, tinha um trabalho que eu não amava (sim, porque eu nunca consigo amar um trabalho, assim, de ser louca por ele), mas que eu até gostava e tinha tempo para cantar de vez em quando. Também era cercada de amigos...Mas: faltava algo. Faltava algo mais. Não estava bom.
Hoje estou na metrópole. Tenho vinte zilhões de oportunidades e gente bacana que eu conheço. Estou onde tudo acontece, pelo menos é o que dizem. Moro e trabalho na principal avenida do país. E, no entanto, ainda acho que as minhas idéias não estão coincidindo muito com isso...Minha conta bancária está falida, eu não ando mais de carro, e sim de ônibus, mas em compensação trabalho com música, que foi o que eu sempre quis fazer. Só tem um detalhe: atrás do palco, não em cima dele...Mas tudo bem, nem tudo é perfeito...
Agora, porque é que tem horas que eu acho que tudo isso também não é a minha felicidade???
RAios, coincidir vida e idéias já é praticamente um momento epifânico, de tão difícil de acontecer. Quando se tem idéias confusas e atrapalhadas como as minhas, aí é que num tem jeito mesmo!!!
Ai, acho que preciso de horas de terapia...E olha que a minha mãe sempre disse que não dá para ter tudo ao mesmo tempo...O que é que eu faço se eu insisto em querer ter tudo ao mesmo tempo???

2 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Hehehe, essa é a velha Lígia de guerra... Minha opinião a respeito, você sabe: para ser feliz, basta não desejar nenhuma dessas coisas. Basta não fazer planos ou criar expectativas. Apenas viva cada dia, deixando que a vida te surpreenda. Beijo.

Ana disse...

Eu acho que é bom querer tudo de uma vez... Os sonhos e desejos são alimentados, mesmo que não se realizem.
Pior não querer nada.
Viver cada dia sem sonhos e questionamentos, para mim, é somente ver a vida passar sem graça, sem som, sem luz...
Beijos!