20 julho, 2009

Quando criança, e até minha adolescência, tinha pesadelos horríveis à noite e odiava, simplesmente odiava acordar muito cedo, antes de ver a luz do sol. É como se o mundo fosse horroroso, os problemas fosse maiores, eu estivesse sozinha no mundo. Era comum eu pensar em morte. Sempre tive medo da morte, especialmente da morte das pessoas que amo. Sempre tive medo da solidão. E quando não havia sol, eu me sentia mais sozinha ainda, como se o tempo estivesse passando rápido demais e eu estivesse ficando pra trás. Uma angústia tomava conta do meu peito, uma ansiedade horrorosa. Eu cresci e felizmente são poucas as vezes que tenho que acordar antes do sol. No entanto, mesmo meus dias ensolarados, muitos deles, têm uma nuvem escura me deixando angustiada e com medo da vida, com medo da morte, seja ela a física ou a metafórica. Estou sempre desesperada com os pontos finais. E parece que eles estão sempre presentes na vida da gente né?
Ultimamente é como se todos os dias fossem sem sol. Depois que fiz 30 anos, o medo do escuro da solidão e do tempo passando depressa aumentou ainda mais. Pode parecer neurose, mas é como me sinto. Por mais que eu tenha várias coisas, há sempre o tempo perdido, o tempo que foi, o tempo que está indo depressa demais,os pontos finais, o medo de ficar sozinha. Eu imaginei minha vida até os 30, porque a juventude é sempre o sinônimo que temos para vida. Pelo menos é o que está sempre na ponta da língua. Depois, bem, as perspectivas para depois sempre foram um limbo pra mim. A história que inventei pra mim ia até depois que eu me formasse, trabalhasse no que gostasse, vivesse um grande amor, casasse com esse amor e tivesse um filho. E nestas alturas do campeonato já era pra ter acontecido isso. Algumas coisas não foram bem como inventei, algumas foram até melhores. Outras nem chegaram a acontecer, e eu começo a ter pânico que não aconteçam. Tá, não tem mais essa de ficar pra titia, mas não quero morrer sozinha. Não quero viver minha vida com aventurazinhas sexuais, criando gatos, cachorros e plantas para não enlouquecer sozinha. Pode até ser que esse seja meu fim, mas não foi bem aquilo que eu inventei.
Por que será que, mesmo quando o céu é azul, eu carrego sempre uma nuvem escura de angústia e inquietude dentro de mim? Esse desabafo é antigo, mas com a idade vai ganhando um peso cada vez maior dentro do meu peito. Sinto-me só. Sinto-me inadequada muitas vezes. Sob alguns pontos de vista, parece que eu fiz tudo errado. Tomara que isso seja só mais um dos meus eternos pesadelos, os piores, já que os vivo sempre de olhos bem abertos.

3 comentários:

rita disse...

Lígia,
Se você ficar preocupada com o tempo passado e o futuro, na certa esquecerá de viver o presente. E o presente tem esse nome por ser uma dádiva que devemos usufruir intensamente, tirando o melhor de cada situação. Seja otimista e viva.Bjs.

Bruno Ribeiro disse...

Hmmm... Lembre-se daquela frase célebre: "A vida é o que acontece lá fora, enquanto estamos fazendo planos aqui dentro".

Vá vivendo, no seu ritmo, um dia de cada vez. Sem que você perceba, as coisas vão acontecendo aos poucos. Cada qual tem uma história e um caminho. É assim com todo mundo.

Beijão!

Anônimo disse...

Schopenhauer a Freud a angústia da humanidade recai sobre o desejo, a volição sem controle que impele-nos numa eterna tangage entre vida (Eros) e morte (Tanatos). Nosso maior medo é o de que não possamos mais querer, daí nosso sofrimento, o mal-estar da civilização. Como disse Nietzsche, "o ser humano prefere querer o nada do que nada querer". Liberta-se da angústia é desfazer-se de velhas cascas, como se fosssemos cobra e então encararmos a existência em novos planos, novas perspectivas, para além de bm e mal.
Um beijo.

Ulysses Lopes